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Minha terra, meu lugar... (maRcIO)

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Fico intrigado com um sentimento que me brota toda vez que volto para minha terra. É bem verdade que se estou fora de meu país, só o fato de ouvir português já me alegra. Mas indo um pouco além, há um toque de algo que me torna ainda mais identificado ou como que "sentimento de pertença": minha cidade. Converso com pessoas de outras cidades e descubro o mesmo: só se sentem realmente em casa quando estão na cidade onde foram criadas (não, o fato de terem nascido no local apenas não é suficiente). E não importa o quanto tenham passado em outra localidade. E me vejo em grande número de viagens. Descobrindo lugares deliciosos, sotaques que adoro repetir e brincar (e sem nenhum deboche ou sentimento pejorativo), gente com características tão marcantes e positivas que não vejo em meu próprio povo (nos cidadãos de minha cidade). Aliás, será que cidadão não advêm de cidade? Provável. E quanto mais viajo, mais me admiro pela minha terra, o "s" puxado como se ...

Código da Vida

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Pois é, quando me pego decidido a escrever neste meu Blog percebo que as críticas me motivam muito mais do que os elogios. E olha que em 2011 tenho lido bem mais do que em anos anteriores e muito menos do que, sinceramente, deveria. Tenho uma série de jornais recortados com notícias que, em sua absoluta maioria, são críticas. E aqui estou eu a criticar o livro de Saulo Ramos - Código da Vida. em termos de estilo, da maneira como o autor apresenta uma obra grande (mais de 440 páginas) é sensacional. Inovadora, prende-nos com uma história aparentemente boba, perpassando a mesma (sem preocupação cronológica) com inúmeras histórias do Brasil. Sim, como testemunha ocular de muitos acontecimentos dos bastidores de nossa política brasileira. E eu estava gostando muito do livro. Muito mesmo. Discordando em algumas partes, surpreso em muitas outras, mas gostando. Até que o douto Saulo adentra o cenário do governo Sarney nos anos 80, onde ele, Saulo, foi ministro de Estado. Bem, aqui não vou nem...

GUINÉ-BISSAU... e uma homenagem aos lusófonos

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A língua nasceu solta e desenvolta. Nasceu virada para fora de si, irmanada com os lábios, os dentes e as cordas vocais que lhe deram a fala, a música, o grito e o silêncio, próprio da caverna onde livremente se encontra enclausurada. A língua serve-se dos olhos, de tudo ao seu alcance e fora dele para, sem papas, testemunhar a nossa relação com a vida. A língua é assim aquela coisa que nos permite, dentro do nosso silêncio, dizer tudo sem nada ter dito. Pois em língua e só nela carpimos os nossos mortos, contamos as nossas histórias e estórias, cantamos as nossas noivas quando rumo à casa do futuro marido deixa para trás a casa que a viu nascer e crescer. E só a língua permite a cada um dizer tudo, menos aquilo que se pensa, num jogo social em que cada um, munido do disfarce que julgar ideal, vai passando pelos círculos que a teia tece. A língua, essa coisa esguia, nem sempre severa, guiada pela mente, vestida de uma mão ou, por vezes, de apenas três dedos — que podem ser de conversa ...

FASE DO SILÊNCIO...

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Saber ouvir realmente é um dom. Torna-se necessário quando se cuida de pessoas - ou ao menos se pensa que se está cuidando... (gerúndio fora de hora...). Estou em um momento de ouvir mais do que falar. Tudo tem um propósito, dizem, a Bíblia diz, e eu creio. Às vezes reclamo, mas creio. Ele nos chama a atenção de diversas maneiras, mas uma predileta ele costuma usar e vem através de lutas. Não, não estou passando mais tantas lutas, mas não consigo ficar eufórico com mais nada. Será que estou perdendo o otimismo tão presente em meu coração? Ou estou percebendo que as pessoas são como de fato são e eu nunca quis acreditar? Ou por último estou amadurecendo? O certo é que estou querendo ficar mais calado. Mesmo. Pastoreio? Pouco, pouquíssimo. Família? Ah, família tem sido meu grande prazer. Por isso, não vou vacilar. Então, se nada mais tenho a dizer, se pessoas não estou a cuidar, resta-me a família, alguns amigos (raríssimos) e, sim, este sim, o silêncio...

Mensagem de Natal por um amigo - Maria e o Chato

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Maria e o Chato (por Eduardo Nunes - @bigduda) Pedro, meu sobrinho, quando tinha 5 anos, sentenciou: - “Dudu, você é chato”. Pedro tem razão. E um chato que honre este título é chato até com o Natal. Não me entenda mal. Eu gosto de Natal. Gosto do clima todo. Divirto-me em ver shopping-center cheio pela TV. Desfruto da moleza do calor úmido do fim de ano. Aprecio a sensação de pausa mundial. Gosto da quebra simbólica que parece zerar tudo. Começar novamente. O clima de “ reset game” me consola. Gosto do Natal, não gosto da imagem. Implico (sou chato, lembra?) com a típica mensagem do natal, com o recall da marca. A idéia cândida da ocasião. Os sininhos pra cá. As estrelinhas pra lá. Com o “todos os seus sonhos se realizem trololó”, “tudo o que você merece, tralalá”. Afinal, todo mundo é filho-de-deus bla bla", "bate o sino pequenino de Belém, blen, blen. Minha chatice implica com as imagens do natal exclusivamente sereno. Com a trilha sonora do coral afinado de anjos. Com o b...

30 anos + 7... dentro da armadura, só um menino há

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Pois é, faço 37 (trinta e sete) anos neste exato momento. Quer dizer, neste exato dia. Até porque o momento nunca é exato, porque em sua exatidão já passou e deixou de sê-lo. Finitude, palavra presente a cada um de nós, mesmo quando leio sobre o aniversário de Oscar Niemayer que fará, dia 15 de Dezembro, 103 anos de existência. Gosto muito de números. Muito mesmo. Quem me conhece mais de perto sabe que faço contas pra tudo, guardo os números mais absurdos possíveis, por motivação nada especial. Quer dizer, às vezes por diversão, outras por vaidade mesmo. Lembro-me de fazer compras no supermercado com meu pai e somar de cabeça o valor de itens para no final dizer: Cento e Vinte e Sete Cruzeiros e Quarenta e Sete Centavos (ou eram Cruzados? Cruzados Novos? Bem, lá se vão alguns anos e aqueles eram anos em que eu não precisava pagar a tal conta... era só diversão!). E o legal de se fazer 37 anos é que tenho dois números dos quais gosto muito: 27 e 47. O 47 começou quando mudamos (ainda gu...

APOSTASIA MODERNA (Finalização)

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PARTE 3 – OS DIAS DE HOJE – CAPITALISMO (CÉU) X SERVIÇO (REINO) A partir do século XIX, nos especializamos em Teologia. Fizemos missões, muitas vezes sem o intuito de alcançar povos, mas para acompanhar nosso povo Alemão que vinha para o Brasil (para manter o culto e as práticas sãs do protestantismo). Mas lá, encontramos um povo que desejava conhecer e assim, fomos crescendo. Nas mensagens, enfatizamos o kerigma, a pregação, a proclamação. Falamos de pecado e perdão. Graça e do céu. Ajudar o pequenino, somente se a mensagem fosse aceita e, assim, ele estivesse com o passaporte de entrada no céu garantido. O resto é coisa sem importância, não é tarefa da Igreja. Esquecemo-nos da diakonia, do serviço, que foi a marca mais forte da Igreja em seu início. E eu poderia pontuar esta parte com o que falei até aqui. E já estaria ruim. Mas tudo que está ruim, pode piorar... Começamos a fazer uma junção ainda pior. Pregamos a salvação como fim em si mesmo, mas queremos gozar das benesses desta t...